terça-feira, 26 de julho de 2011

Escutatória-Rubens Alves

Escutatória

Rubem Alves

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar... Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que... Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.

Daí a dificuldade: A gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor... Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração... E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade. No fundo, somos os mais bonitos...

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64.Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.

Vejam a semelhança...Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio...Abrindo vazios de silêncio... Expulsando todas as idéias estranhas.

Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.

Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos...Pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades. Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.

Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou. Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.

E, assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência...E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras... No lugar onde não há palavras.

A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia...Que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também.

Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto

quinta-feira, 14 de julho de 2011

PUBLICAÇÕES SOBRE A APLICABILIDADE DA MUSICOTERAPIA NA EDUCAÇÃO

Levantamento realizado Profª Drª Sandra Rocha do Nascimento (EMAC/UFG, 2011)

1. NASCIMENTO, Sandra Rocha do. A escuta diferenciada das dificuldades de aprendizagem: [manuscrito] um pensarsentiragir integral mediado pela musicoterapia. / Sandra Rocha do Nascimento. Orientador: Prof. Dr. Maria Hermínia M. da Silva Domingues. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Goiás, Faculdade de Educação, 2010. Disponivel em < http://www.fe.ufg.br/ppge/uploads/files/5/TeseSandraRocha%281%29.pdf>

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Artigos sobre Musicoterapia na Educação

Estamos iniciando a catalogação de artigos, resumos, monografias, dissertações, teses. etc relacionadas à atuação da Musicoterapia na Educação. Solicitamos que o autor que interessar socializar sua produção cientifica envie o material para o email do coordenador do Blog (Profª Drª Sandra Rocha do Nascimento- srochakanda@hotmail.com), com informações adicionais sobre o autor (nome completo, instituição a que está vinculado, contatos, formação ) e a fonte da publicação/divulgação do material enviado (local de publicação, ano, editora ou similar).

sexta-feira, 8 de julho de 2011

IMAGENS DA FINALIZAÇÃO DO SEMESTRE NO CIRANDA DA ARTE


Hoje, dia 28 de Junho de 2011, presenciamos em nosso encontro do Gep de Musicoterapia na Educação, as atividades artisticas do Centro de Estudo e Pesquisa - “Ciranda da Arte”/ Secretaria de Estado de Educação.

terça-feira, 28 de junho de 2011

GEP DE MUSICOTERAPIA NA EDUCAÇÃO- EMAC/UFG e Ciranda da Arte/SEDUC-Go

Sobre o GEP DE MUSICOTERAPIA
No ano de 2010, o Ciranda da Arte da Secretaria de Estado da Educação, no município de Goiânia-GO, contratou 5 musicoterapeutas para atuarem nas escolas de tempo integral da região metropolitana de Goiânia-Goiás. Inicialmente, esses profissionais foram destinados às aulas de música, visto que dominavam a utilização da linguagem musical e do uso dos instrumentos musicais. As professoras Profª Drª Sandra Rocha do Nascimento e Profª Ms Eliamar Apª de Barros Fleury e Ferreira, ambas professoras do Curso de Musicoterapia da Escola de Música e Artes Cênicas/UFG, ao tomarem conhecimento desta expansão do mercado de trabalho aos musicoterapeutas egressos do curso, efetivaram uma proposta de parceria com a instituição Ciranda da Arte, objetivando uma formação continuada ao exercício da função de musicoterapeuta dentro do espaço escolar. Esta proposição adveio dos resultados obtidos a partir da pesquisa de doutoramento " A escuta diferenciada das dificuldades de aprendizagem: um pensarsentiragir integral mediado pela musicoterapia" (NASCIMENTO, 2010), propondo a aplicabilidade da musicoterapia no contexto escolar de tempo integral, na qual se verificou que a atuação do profissional musicoterapeuta expande para além dos sujeitos encaminhados aos atendimentos e/ou ações interventivas. Percebeu-se que a configura-se uma perspectiva multidirecional, avançando para uma escuta ampliada dos diversos fenômenos presentes no cotidiano escolar em seus diferenciados espaços e tempos de ações e reações, sendo continuamente interinfluenciados e mutuamente constituídos. Concordantes com a proposta, ambas as instituições, EMAC e Ciranda da Arte, iniciaram uma construção conjunta e interdisciplinar à aplicabilidade da musicoterapia no campo da educação, efetivando momentos de escuta ativa dos profissionais das escolas, desde os gestores, coordenadores e dos musicoterapeutas, ao conhecimento da realidade educacional e das práticas realizadas. Verificou-se que as ações musicoterapêuticas eram suplantadas pelos diversos “multifatores interinfluentes” (NASCIMENTO, 2010) presentes na escola, modificando toda a compreensão da musicoterapia, sendo necessária uma reflexão extensa sobre a atuação neste locus. Referente a realidade escolar, a encontramos permeada de queixas, direcionadas quer aos alunos ou aos professores, bem como aos diversos atores da comunidade escolar. Geralmente como depositários primários encontramos os alunos. Sobre estes, uma grande maioria de docentes formam conceitos ou preconceitos ao primeiro sinal de “diferença” do grupo previlegiado pela escola ou pelo professor. No meio das queixas, a figura da família se faz presente, sendo freqüentemente culpabilizada pelas “condutas inadequadas” de seus tutelados. Na outra ponta, os docentes também são alvo de críticas, tornando-se os “responsáveis” pelo insucesso escolar dos alunos. Caracteristicamente, o ambiente escolar vai se tornando um espaço de competição, queixas exaustivas, frustrações, desconfianças, gerando conflitos entre todos os atores da comunidade escolar. As queixas e problemas centram-se sempre “no outro”, com solicitações infindáveis de mudanças a partir da aquisição de recursos estruturais, geralmente físicos. Desta forma, proporcionar o desenvolvimento de ações musicoterapêuticas na área educacional, dentro do contexto escolar, centra-se muito além da efetivação de ações ligadas aos alunos que apresentam problemas. A Musicoterapia na educação, sustentada por embasamento na perspectiva interdisciplinar, avança na compreensão e atuação junto aos diversos atores da comunidade escolar e aos multifatores interinfluentes no processo ensino-aprendizagem.
Por Profª Drª Sandra Rocha do Nascimento (Junho 2011)