quinta-feira, 26 de julho de 2018

MUSICOTERAPIA SOCIAL: DOS COLETIVOS NOS TERRITÓRIOS LOCAIS AO COLETIVO LATINOAMERICANO. Abril/2018

MUSICOTERAPIA  SOCIAL: DOS COLETIVOS  NOS
TERRITÓRIOS LOCAIS  AO  COLETIVO LATINOAMERICANO.

MUSICOTERAPIA SOCIAL: DE LOS COLECTIVOS EN
TERRITORIOS LOCALES AL COLECTIVO LATINOAMERICANO.

SOCIAL MUSIC THERAPY: FROM THE LOCAL TERRITORIES COLLECTIVES TO THE LATIN AMERICAN COLLECTIVE.

NASCIMENTO, Sandra Rocha do; PELLIZZARI, Patricia Claudia; LINDENBERG, André Pereira.

Resumo
A presente reflexão traz um diálogo de percepções sobre um mesmo acontecimento vivenciado - o XVIII Forum Paulista de Musicoterapia, promovido pela APEMESP (Associação de Estudantes e Profissionais de Musicoterapia do Estado de São Paulo) que desde 2012, realiza um trabalho de regulamentação e atuação frente ao SUAS (Sistema Único de Assistência Social) e encontros com parceiros e coletivos da MT Social, o que culminou com esse evento realizado em abril de 2018 - que despertou diferentes e semelhantes reflexões e vozes, sucitadas na escuta das diversas experiências apresentadas. Tendo o evento uma perspectiva de troca de fazeres e saberes, aqui co-construimos um diálogo entre tres musicoterapeutas comunitários com o objetivo de dar concretude as palavras silenciosas e dialogos emergidos em espaços-tempos de jantares, corredores, translados, etc. Nestes diálogos colaborativos, o artigo que aqui apresentamos, co-criado por profissionais de diferentes territórios latinoamericanos - brasileiro goiano, argentino e brasileiro paulistano -, traz uma ‘estética comunitária’ sui generis: um movimento de resistência frente ao silenciamento de vozes de comunidades, e uma convocAÇÃO, da APEMESP, consolidando uma perspectiva de pertencimento a Musicoterapia Social e Comunitária Latinoamericana. Uma co-construção colaborativa e permanente de Indicios de un Porvenir na Musicoterapia Social Latinoamericana, iniciado pela Profa Dra Patricia Pellizzari em 2015 e mantida nos diversos territórios em que o musicoterapeuta comunitário se encontra. Aconvocação’ toma outro sentido, o de co-construção de espaços-tempos de diálogos generativos de trocas de saberes, de redes de ações colaborativas, de alinhamento de conceitos, de fortalecimento de perspectivas e paradigmas.
Palavras chave: Musicoterapia Social. Coletivos em  Musicoterapia  Social Latinoamericana. Co-construção.

Resumen
La presente reflexión trae un diálogo de percepciones sobre un mismo acontecimiento vivido - el 
XVIII Foro Paulista de Musicoterapia, promovido por la APEMESP (Asociación de Estudiantes y 
Profesionales de Musicoterapia del Estado de São Paulo) que desde 2012, realiza un trabajo de 
reglamentación y actuación frente al SUAS (Sistema Único de Asistencia Social) y encuentros con 
socios y colectivos de la MT Social, lo que culminó con ese evento realizado en abril de 2018 - que 
despertó diferentes y similares reflexiones y voces, sucitadas en la escucha de las  experiencias 
presentadas. Teniendo el evento una perspectiva de intercambio de acciones y saberes, aquí 
co-construimos un diálogo entre tres musicoterapeutas comunitarios con el objetivo de dar visibilidad 
a las palabras silenciosas y dialogos surgidos en espacios-tiempos de cenas, pasillos, traslados, etc. 
De estos diálogos colaborativos surge el artículo que aquí presentamos, (co-creado por profesionales
 de diferentes territorios latinoamericanos - Brasileño Goiano, Argentino Bs As y Brasileño Paulistano-), 
artículo que traza una 'estética comunitaria' sui generis: un movimiento de resistencia frente al 
silenciamiento de voces de las comunidades, y una convocatoria- acción, de la APEMESP, consolidando
 la pertenencia a la Musicoterapia Social y Comunitaria Latinoamericana. Una co-construcció
colaborativa y permanente de Indicios de un Porvenir en la Musicoterapia Social Latinoamericana,
 iniciado por la Profa Dra Patricia Pellizzari en 2015 y mantenida en los diversos territorios en que la 
musicoterapia comunitaria se encuentra. La "convocatoria" toma otro sentido, el de co-construcción de
 espacios-tiempos de diálogos generativos de intercambios de saberes, de redes de acciones 
colaborativas, de alineamiento de conceptos, de fortalecimiento de perspectivas y paradigmas.
Palabras clave: Musicoterapia Social. Colectivos en Musicoterapia Social Latinoamericana. 
Co-construcción.


Abstract
The present reflection brings a dialogue of perceptions about the event experienced - the XVIII Paulista Forum of Music Therapy, sponsored by APEMESP (Association of Students and Professionals of Music Therapy in the State of São Paulo), which since 2012 has been working on regulation and acting in front to SUAS (Single System of Social Assistance) and meetings with partners and the MT Social collectives, which culminated with this event held in April 2018 - which awaken different and similar reflections and voices, raised in listening to the various experiences presented. With the event a perspective of exchange of ideas and know-how, here we co-construct a dialogue between three community music therapists with the objective of giving concreteness to the silent words and dialogues emerged in space-times of dinners, corridors, transfers, etc. In these collaborative dialogues, the article presented here, co-created by professionals from different Latin American territories - Two Brazilians from the state of Goiás and São Paulo and an Argentine - brings a 'community aesthetic' sui generis: a movement of resistance against the silencing of community voices, and a summoning from APEMESP, consolidating a perspective of belonging to Latin American Social and Community Music Therapy. A collaborative and permanent co-construction of "Indicios de un Porvenir" in Latin American Social Music Therapy, started by Prof. Dra. Patricia Pellizzari in 2015 and maintained in the various territories in which the community music therapist is. The 'convocation' takes on another meaning, the co-construction of spaces-times of generative dialogues of exchanges of networks , of knowledge, collaborative actions, aligning of concepts, strengthening, perspectives and paradigms.
Keywords: Social Music Therapy. Collective in Latin American Social Music Therapy. Co-construction.


Sou Sandra Rocha, musicoterapeuta comunitária, docente universitária brasileira, declaradamente extensionista, coordenadora do LABORINTER/EMAC/UFG[1]. Ao participar de um convite da APEMESP[2] (gestão 2016-2018), em abril de 2018, para falar sobre semelhanças e diferenças da musicoterapia social, algumas percepções emergiram trazendo o desejo de explorar dialogicamente essas ‘palavras silenciosas’. Nos termos do Construcionismo Social, dar vozes aos  nossos pensamentos e nossas percepções internas suscitadas a partir das narrativas expressas por outrem e construídas na relação dialógica (ANDERSON, 2017).
Como brasileira, vivendo um momento em que a representação política do meu país desvela uma derrocada na confiabilidade de seus integrantes, agrega-se a este movimento de retrocesso, outros tantos tais como o desaparecimento de propostas sociais construídas e consolidadas em anos ulteriores, com o decréscimo e mesmo extinção de fomentos para projetos comunitários, que tiveram resultados significativos de efetividade ao empoderamento de populações que antes se mantinham a margem complementares, tais como a oferta de terapias para comunidades carentes, formação de profissionais da saúde em abordagens integrativas e condições financeiras para apoio a projetos extecionistas e bolsistas, entre outras. No contexto acadêmico vivenciamos cortes significativos em várias direções, que impedem a ampliação de avanços e a sustentação de ações também consolidadas com resultados significativos no ensino, na pesquisa e na extensão. Não se finda nos aspectos expostos o ‘retrocesso’ que vivenciamos no âmbito das ações sociais e de saúde coletiva. Muito mais há para discorrer, mas torna-se muito extenso expôr aqui os diversos movimentos contrários ao empoderamento de atitudes e reflexões sobre saúde coletiva e educação popular em saúde pelos atores das comunidades.
No entanto, o panorama atual brasileiro, com suas múltiplas facetas, encontra-se tangenciado por um silenciamento de vozes sobre as desigualdades advindas destes “cortes”, presente na maioria da população brasileira. Mas um silenciamento que vem após uma manifestação em massa da população frente a fatores políticos sérios que obteve como resultado a destituição de seu representante máximo: a Presidente do País.
Sustentando-me na perspectiva inicial (2005) da musicoterapia preventiva psicosocial, posta por Patricia Pellizzari, na qual experiências criativas possibilitam aos sujeitos restituir-lhes suas vozes  como “palabra libertadora”(PELLIZZARI, 2011, p. 42), inquieta-me a presença deste silenciamento de vozes  na maioria de um povo. Nestes não-ditos, desvela-se fatores de vulnerabilidade que não são somente presentes em individuos isolados  ou em grupos circunscritos, mas dizem de uma coletividade nacional que se encontra vivenciando atitudes intensa vulnerabilidade psicosocioemocional e cultural, manifestadas em atitudes de conflitos extremos nas diversidades de pensamentos, intolerâncias físicas e com desqualificações exageradas quanto a opiniões diferentes, movimentos de isolamento e autoisolamento quando de convicções opostas, ou seja, atitudes cotidianas que avassalam sonhos, ações, projetos, parcerias, fragilizando pessoas, comunidades e uma nação.
“Cuando la vulnerabilidad o la exclusión avasallan a la persona, sus palabras, su voluntad y sus sentimientos pierden valor y comienzan a desvincularse. Las personas u las comunidades van quedando – a fureza de exclusiones y vulnerabilidades – libradas al sin sentido” (MOISE,1998 apud PELLIZZARI, 2011, p.41-42).
Considerando este panorama atual brasileiro, o convite da APEMESP se apresenta como uma ação de resistência diante deste cenário de retrocesso. A característica mais evidente desta resistência encontra-se nas atitudes de chamar/convocar, aproximar pares próximos e distantes  e fazerem-se ser escutados os musicoterapeutas que insistem em continuar olhando para o social e o comunitário como lugares de atuação, construção de conhecimento e formação de novos profissionais. Não se trata de uma chamada para um evento com a intenção de expor sobre suas ações desenvolvidas. Trata-se de uma “convocaçãono sentido que a expressão denota[3], mas, também, um convocar para além deste sentido já dado: um chamar para estar-com a partir de uma vocação sui generis, ou seja, fazer parte de um grupo de profissionais que olham para o social e para as comunidades como Seres desejantes de saúde, e assim realizam ações ou atuações especificas de musicoterapia social com vistas a empoderar aqueles ao alcance de transformações colaborativas em seus contextos de vivência.
Assim, a ‘convocação’ toma outro sentido, o de co-construção de espaços-tempos de diálogos generativos de trocas de saberes, de redes de ações colaborativas, de alinhamento de conceitos, de fortalecimento de perspectivas e paradigmas.
Para Anderson (2017, p.25), “a essência da relação colaborativa inclui a forma pela qual o outro possa se juntar a nós em um compromisso mútuo e uma ação conjunta”. A autora ainda sustenta que
quando as pessoas têm um espaço metafórico e quando estão engajadas em um processo polifônico para relações colaborativas e conversações dialógicas, elas começam a “falar com” e a ouvir a si mesmas, umas às outras e aos outros de novas formas. Por meio dessas conversações, novidades desenvolvem-se e podem se expressar em uma variedade infinita de formas, tais como maior agenciamento próprio e liberdade na construção de identidades (idem).

Emerge um Reconhecimento uns dos outros, como se, ao nos escutarmos, pudéssemos nos ver mutuamente nas ações e características expressas por nós e por cada um, levando-nos a sensação de pertencer a um grupo que compreende o mundo e o lugar da música, em especifico da musicoterapia, sob uma perspectiva diferenciada, escutando e dando voz as pessoas da comunidade com as quais trabalhamos e muitas vezes (con)vivemos. Como movimento de resistência....ReEXISTIMOS! 



Soy  Patricia Pellizzari,  musicoterapeuta, directora de ICMus Argentina[4], invitada al Forun de Musicoterapia Social 2018 en Sao Paulo. Feliz por el encuentro de culturas y experiencias entre colegas,  que  señalan caminos posibles y construyen nuestros destinos como comunidad musicoterapéutica latinoamericana. El Forun 2018  fue profundo en reflexiones y texturas. Tejió punto a punto trazos entre actores comprometidos con una práctica de lo cotidiano. Luego de conocernos, diferenciarnos, describirnos como musicoterapeutas sociales, advertimos resonancias y convergencias en las preocupaciones, sueños, estrategias y desafíos.
Una de las primeras temáticas que deseo compartir se centra en la proximidad existente entre la musicoterapia social y la política.
Preguntas tales como:
El/la Mta en su función, ¿debe abstenerse de su ideología o compromiso político/ideológico/partidario? En que podría beneficiar u obstaculizar que el/la Mta tome como propia la lucha de una comunidad o grupo?
Los/las Mtas ¿estamos preparado/as o debemos prepararnos    / formarnos académicamente mejor para realizar gestiones institucionales, públicas, políticas?
¿Cómo discernir los Determinantes apropiados para abordar las problemáticas de la salud comunitaria/colectiva? La musicoterapia social ¿distingue problemáticas individuales de problemáticas colectivas?  ¿Cuándo, un grupo poblacional está preparado para abordar y elaborar las problemáticas psicosociales, de convivencia y familia desde una visión social/comunitaria? La perspectiva social la orientamos los/las Mtas o debería surgir del interés explícito de los/las participantes?
Si bien estas preguntas no tuvieron respuesta una a una, fueron transitando a través de las diferentes ponencias que allí se desplegaron.
Temas tan trascendentes como el derecho a la vivienda (Colectivo Reconstrusom), como la Violencia doméstica (Colectivo MT), las Visitas domiciliarias a adultxs mayores (Laborinter/UFG), los Sonidos de las calles (Miriam Steinberg), los Cacerolazos como forma de protesta social (Paulo Bitencourt) la inclusión del Mta en las políticas públicas (Marianne Oselame) y la Estética Comunitaria como forma de política (Patricia  Pellizzari, ICMus) fueron dando contenido y profundidad a la reflexión sobre este área de acción.
Así fuimos hilvanando obstáculos propios de la musicoterapia social en Brasil y Argentina:
1.     La formación académica: en Brasil los cursos de formación no contienen asignaturas específicas de musicoterapia preventiva/comunitaria y social, por tanto tampoco se desarrollan practicas especificas del área en los Cursos..
2.     La salud pública, caps, suas, hospitales etc. comienzan en Brasil a solicitar estos cargos y no hay musicoterapeutas suficientemente entrenados en el área.
3.     El financiamiento de proyectos y/o programas de musicoterapia social son contratos temporarios y con escasa proyección preventiva a largo plazo.
4.     Las formas de financiamiento son extremadamente precarias.
5.     Los gobiernos actuales manifiestan una tendencia a suprimir derechos en educación y salud, profundizando la vulneración y desprotección de los sectores con menos posibilidades de progreso autogestivo.
Desde el punto de vista metodológico y técnico se advirtieron temas preponderantes:
1.     La necesidad de escribir, investigar, publicar experiencias y conceptualizaciones en torno a los alcances de la musicoterapia social.
2.     El necesario compromiso de contrastar los escritos que surgen entre colegas para fortalecernos como comunidad reconociendo las producciones existentes.
3.     Considerar la reflexión sobre el pasaje de lo íntimo a lo público que acontece en los abordajes comunitarios como así también la escucha abierta, flexible y respetuosa que amerita este tipo de abordaje.
4.     Mantener una actitud de curiosidad sobre las producciones sonoras que los grupos crean, considerando que ofrecen elementos estéticos y representacionales sobre los modos de estar, relacionarse y comunicarse entre las personas.
5.     Comprender que las estéticas sonoras grupales son formas de la Microsociología, dado que en los discursos sonoros se advierten formas de protagonismo, su circulación, sus direcciones, modalidades concretas de resolver tensiones y generar tolerancias y consensos colaborativos.
6.     La escucha como posicionamiento básico del/ la Mt. para comprender las necesidades y potencialidades de  las comunidades.
7.     La Improvisación libre, los jingles o canciones de formatos breves, fueron las técnicas mayormente planteadas como formas de exploración, expresión y construcción de mensajes.
El mensaje de la Dra. Sandra Rocha ha circulado entre los participantes constituyendo un verdadero estímulo para la reflexión: animarse a salir del lugar de confort, comprender que es CON las comunidades que debemos descubrir construir y orientar las  metas.
Coincidiendo con ella plenamente entiendo que las actividades son los vehículos, las formas de sensibilizaciónón y reflexión que secundan  a los procesos de subjetivación social.
Las estéticas sonoras conforman relatos sensibles, afectos y vínculos encarnados en la música, energías en movimiento que generan sinergias y oportunidades de crear estrategias de salud comunitaria.


Sou André Pereira Lindenberg, musicoterapeuta comunitário, Presidente da Associação de Musicoterapia do Estado de São Paulo (2014-2018)/ Brasil, acredito que os caminhos sociais devem ser construídos e pensados num formato que inclua sempre o reflexo do coletivo. E buscando uma coerência entre o ideal e a ação, a APEMESP (Associação de Profissionais e Estudantes de Musicoterapia do Estado de São Paulo), vislumbrou a necessidade de realizarmos um encontro que tornasse a proporção reflexiva do pensamento comunitário, indo além do campo da atuação, mas que chegasse até uma proporção de pensarmos as políticas públicas, e em nossa maneira impar de percorrer os espaços e os capilares da sociedade. Em dois dias de evento, aonde expoentes da musicoterapia comunitária explanaram suas formas de ação, nós debatemos, questionamos, ressignificarmos e aprimoramos nossas estratégias de pertencimento na Sociedade e em suas sonoridades significativas. Como coloca Mário de Andrade, pesquisador referência de cultura popular no Brasil. ”A música é uma arte. E como tal é uma expressão. Toda expressão sendo peculiar ao homem é para nós, homens, objeto não só de conhecimento porém passível de compreensão ."(ANDRADE, 1995. p.45). E é este olhar que buscamos em nossa percepção social e musicoterapeutica, todas expressões sonoras com signos a serem acolhidos, analisados e ampliados.
Um dos olhares latentes, que se solidificou na pesquisa; “Indícios de un porvenir”, é o de construirmos um prisma a nossa Musicoterapia  Social na América Latina. Partindo da mirada constante, do micro ao macro ou do macro ao micro, a diretoria da APEMESP, convidou a  Dra Patricia Pellizarri, Dra Sandra Rocha, que representavam os territórios além de nossa fronteira da cidade de São Paulo, proporcionando o Intercâmbio (a maior fonte de enriquecimento cultural de nossas práticas) com representatividade da Argentina e de Goiás. Reunimos em São Paulo,  algumas de nossas forças sociais da Musicoterapia, que puderam estar presentes nessas datas, como a dos Coletivos Reconstrusom e o Colectivo MT,  e os musicoterapeutas Miriam Steinberg e Paulo Bitencourt.
Na cidade de São Paulo, lutamos com afinco á mais de 7 anos para nos estabelecermos nos âmbitos sociais, decorrente de nossa regulamentação para atuarmos no SUAS (Sistema único da Assistência Social), dessa forma luto junto com os companheiros Lilian Engelmann, Kezia Paz e Gildásio Januário num trabalho frente a representação nos fóruns de trabalhadores da assistência social. Coloco este ponto de esclarecimento, porque vivemos num momento político aonde os interesse de alguns implicam, para que a desarticulação entre as classes de trabalhadores tome uma proporção de desagregação, e realizar um fórum de musicoterapia comunitária aonde se fortaleça a união da classe, o crescimento de possibilidades de ideias e estratégias, e que alcance potências de inserção nas políticas públicas.
Um espaço tempo que instauramos práticas que temos em comum, para que juntos possamos deslocar essa percepção temporal e espacial. Organizar as ideias das ações, compartilhar elas entre nós, não é um formato de aprisionamento ou mesmo de encerramento das práticas, como as vezes alguns se assuma. É sim, o principio de desenvolvermos uma história de invenção da musicoterapia social na América Latina. Marcada pela trajetória ferida e não estancada de processos de opressão colonizadora, e por características sociais e econômicas peculiares de nosso macro território, não podemos deixar que modelos musicoterapeuticos existentes sejam a única forma de avaliarmos o que fazemos. Como cita Eduardo Galeano, “Porque na história dos homens cada ato de destruição encontra sua resposta, cedo ou tarde num ato de criação” (GALEANO, 2010, p. 372). Criar e inventar e temos que permitir acomodar outros formatos de indicadores da potência de nossas ações;
-   olhares e registros fotográficos, que são mensurados em suas leituras pela estética da arte são potentes e ainda não tão explorados por nós;
-   os muros pintados com nomes que nascem de uma ação de musicoterapia comunitária é um indicador de resistência; assim como uma biblioteca feminista que itinerá pela comunidade, demonstrando que percorre pelas tramas daquela sociedade, expondo uma temática necessária, e a comunidade retorna validando ou não, também resiste.
-   A gravação de sons da rua e suas análises de comportamento, integrando paisagem sonora e manifestação da estética visual e comportamental da sociedade que habita, vive e se apropria da rua, também tem sua proporção de parâmetros e reflexos da população viva daquele tempo-espaço.
Chegamos em um ponto de maturidade de produções musicoterapeuticas sociais; com muitos grupos de pesquisa surgindo, focando em temáticas de atuações, construindo e reconstruindo seus formatos de acessos  a comunidades. E fica claro, após esses dias de reflexão de algumas ações de musicoterapia, os fundamentos de análise, os indicadores para a nossa ampliação de olhar crescente são construídos e estabelecidos juntos a comunidade. É ela, que na maioria das vezes revela,  mas que sempre demonstra aonde está a relevância e a potência da ação, nós temos que alimentar a busca de olhar com necessidade para o Invento. Ainda criar, ainda inventar, e por vezes revelar o que já é um organismo vivo sonoro atuante daquele lugar, que se configurou também através de música. São camadas de percepção, os musicoterapeutas, a comunidade atuante, a comunidade distante, e as políticas públicas sendo acessadas e atravessadas por sons mutantes e transformadores. Citando Paulo Freire (1992), uma referência na educação mundial, que no clássico livro, pedagogia do oprimido, coloca em propósito nosso diálogo constante, além das esferas acadêmicas, mas ao encontro permanente dos capilares da sociedade. Diz ele: “Ninguém liberta ninguém , ninguém se liberta sozinho: Os homens se libertam em comunhão." Avante Musicoterapia Social!!

Referências
ANDERSON, Harlene. A postura filosófica: o curacao e a alma da prática colaborativa. In: Práticas colaborativas e dialógicas em distintos contextos e populaces: um diálogo entre teoria e práticas. Marilene A. Grandesso (org), 1a ed., Curitiba, PR: CRV, 2017.
       ANDRADE, Mario de. Introdução a estética musical. Editora Hucitec. São Paulo 1995.
GALEANO, Eduardo H. As veias abertas da América Latina / Eduardo Galeano; Tradução de Sergio Faraco - Porto Alegre, RS LePM, 2010.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 60a. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2016.
HOUAISS, Antônio, VILLAR, Mauro de Salles, MELLO FRANCO, Francisco Manoel de. Minidicionário Houaiss da língua portuguesa. 3a. ed. rev. e aum. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
PELLIZZARI, Patricia C. Crear Salud. Aportes de la Musicoterapia preventive-comunitaria. Patricia Pellizzari e colaboradores Equipo. Argentina: ICMus. Patricia Pellizzari Editora. 2011.




[1] Laboratório Interdisciplinar de Educação em Saúde Comunitária, parte do programa de extensão EMAC -06, do Curso de Musicoterapia da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás/ Goiânia/ Brasil.
[2] APEMESP – Associação dos Profissionais e Estudantes  de Musicoterapia do Estado de São Paulo.
[3] Qual seja, ‘chamar para reunião, evento oficial; reunir, formar’ (HOUAISS, 2009), geralmente por uma obrigatoriedade.
[4] ICMus Asociación Civil (Investigacion clinica, comunitaria musicoterapéutica).